Portugal

O que é a Viagem?

O que é a viagem? Viajar para longe ou ficar por aqui?

Nunca fui muito longe e só cruzei uma fronteira, a nossa. Esta já a cruzei desde diferentes pontos, de barco e de carro mas espero cruzar muitas mais. Talvez por isso não me sinto no direito de escrever sobre a viagem  mas contradigo-me e escrevo.

Posso ouvir Piazzola e imaginar-me em Buenos Aires  assim como posso viajar pelo meu país e torná-lo tão exótico como o outro lado do oceano, posso sonhar e isso permite-me viajar.

Há quem fique em resorts outros em parques de campismo, há quem tire selfies com a Torre Eiffel, há quem percorra África de bicicleta, cada um decide como fazê-lo, o importante é ir e não é preciso ir muito longe. Ás vezes ansiamos por umas férias nas Maldivas quando ainda nem fomos à praia que temos a 30km de casa, é preciso explorar, descobrir, aprender.

Não conheço Paris nem Londres mas conheço o Mogadouro onde ninguém vai porque se diz que não há nada para ver, eu penso o contrário. Todos os sítios que não aparecem nos guias turísticos são para mim a peça chave da viagem, essa que está lotada de informações sobre o que ver e fazer nas mil e umas capitais europeias.

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Mogadouro

Custa-me enfrentar o turismo de massas, todo aquele egocentrismo em aparecer numa foto, toda aquela correria para ver o que nos dizem ser obrigatório sem se saber o que realmente os olhos vêem fugazmente porque vale mais uma flash disparado que um olhar observador, cansa-me.

Escrevo sobre o Mogadouro porque há pouco estive em Trás-os-Montes e perguntei-me porque ninguém vai conhecer aquelas gentes? Porque se esquecemos deles? Eu venho de coração cheio daquela terra fria, tão genuína, tão única lá naquele cantinho de Portugal. Porque ansiamos tanto pelo longínquo? porque não encaramos a viagem com o primeiro passo com que saímos pela porta da nossa casa?

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A viagem feita por estradas esquecidas

Não estou a desvalorizar nenhuma forma de viajar, obviamente um dia também visitarei cidades por essa Europa ainda desconhecida para mim, também irei por esse mundo fora mas cada vez que penso que a vida não me vai chegar nem para ver Portugal inteiro, todas as aldeias, todas as paisagens escondidas entre caminhos de terra batida, todos esses campos e gentes que são o meu país fico atordoada.

Seria impossível para mim pensar em 15 dias de férias no Algarve todos os anos, no mesmo apartamento e satisfazer-me com dias estendida ao sol a beber cocktails.

Temos uma ideia pré-concebida sobre viajar, temos que ter um tecto, comprar souvenirs, seguir rotas já definidas. Atrevam-se, deixem os guias em casa e partam, não corram, nunca estamos no local errado, se chegámos até lá é porque é algo aprenderemos. Busquem vocês o que querem ver, não tenham medo de não ter ido ao museu x, não terem fotos do monumento tal ou não terem almoçado no restaurante recomendado.

Viajem, desde o sofá, desde o metro, desde onde vos seja possível e tentem compreender que não há padrões a seguir, podemos ser nós mesmos, vivermos como entendemos.

O fantástico está em todo lado ,talvez aqui mesmo,não precisamos ir muito longe e se algum dia formos a nossa visão da viagem será outra.

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Uma ilha no Douro só para mim
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