Portugal

Uma road trip que começou em Marvão

Durante duas semanas eu e o Tiago andamos sem rumo por Portugal. Tudo começou num dia qualquer de Setembro quando decidimos fugir de Lisboa em direcção ao Parque Natural da Serra de São Mamede, não planeamos nada e só tínhamos uma certeza: Fazer uma road trip pelo interior de Portugal, começando em Marvão.

Uma road trip que começou em Marvão
Uma road trip que começou em Marvão

Só me dei conta que a cidade já estava longe e que estava de volta às raízes quando olhei pela janela do carro e voltei a ver estrelas, tive vontade de chorar, estava no Alentejo, longe das planícies lá em baixo mas debaixo do mesmo céu.

Terminamos a dormir no parque de estacionamento de um restaurante, estreamos o nosso fogão de campismo e o Opel Corsa convertido em autocaravana, assim começava a nossa road trip.

No dia seguinte estava um calor brutal, queríamos praia para nos refugiar-mos da calma alentejana e foi assim que chegámos a uma aldeia aos pés de Marvão, a Portagem. Foi ali que pela primeira vez pude nadar a ver um castelo e isso compensou as águas geladas do Rio Sever.

Uma road trip que começou em Marvão
Praia fluvial da Portagem

Convenci o Tiago a praticar campismo selvagem então ao final da tarde procuramos um sítio onde montar a tenda junto ao rio, encontra-mos o que ao principio nos pareceu o local mais adequado e tudo parecia perfeito até ficar escuro.

Uma road trip que começou em Marvão
Cães de aldeia

Enquanto nos convencíamos dizendo a nós próprios “não vai acontecer nada” não é que ouvimos passos? PÂNICO! Sentimos tanto medo, foi tão estranho estar alguém ali no escuro sozinho (sim, porque não tinha lanterna ou luz do telemóvel) a rondar-nos a tenda, apanhamos um ganda cagaço!

Momentos depois não ouvimos mais passos e fugimos, sim fugimos! Deixámos a tenda montada e desatamos a correr pelo meio do mato com lanternas na mão como num filme de terror até chegarmos ao carro que nos abrigou mais uma noite. Depois desta minha ideia que correu mal prometi que no dia seguinte iríamos para um parque de campismo, estávamos exaustos e este foi o maior susto desta roadtrip e possivelmente das nossas vidas.

De volta à civilização tudo estava tranquilo, era só mais uma noite de verão alentejana, havia pirilampos a saltitar em frente à pequena capela, gente sentada à porta da rua e bebia-se taças de vinho em frente ao café. Apesar do cagaço estava apaixonada pela pitoresca e mágica Portagem com a sua ponte romana e a sua muralha judaíca, aposto que terá muitas lendas para contar.

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Ponte romana da Portagem
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Capela das Almas onde saltitam os pirilampos à noite

 

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Ruas e fontes da Portagem

Depois de uns dias a ver as águias sobrevoarem o imponente castelo de Marvão enquanto nos banhávamos no Sever, decidimos que tinha chegado a hora de subir até lá, perdermo-nos no emaranhado de ruas brancas e ver o mundo desde lá de cima como diz Saramago.

Depois de percorrer Marvão cumpri o prometido  e fomos para um parque de campismo e passámos a tarde a comer, a dormir e a mergulhos na piscina de água salgada novamente com vista para o castelo.

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Castelo de Marvão
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Ruas de Marvão
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Quintal-terraço em Marvão

Estávamos exaustos e o Parque de Campismo Beirã-Marvão foi a pausa merecida, é um parque virado para o contacto com a natureza e foi o meu preferido desta road trip porque estávamos basicamente a praticar campismo selvagem mas desta vez com segurança, casas de banho e piscina.

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Piscina do Parque de Campismo
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A tenda debaixo da oliveira onde dormimos a ver a estrelas

No parque disponibilizam informação sobre trilhos que não estão sinalizados e decidimos ir à aventura com uma impressão do Google Maps e algumas indicações atrás e escusado será dizer que nos perdemos. Quando nós demos conta estávamos cada vez mais perto de Marvão numa estrada de alcatrão que não conhecíamos, tentamos parar os carros para pedir informações, uns não sabiam onde era o parque, outros pensavam que queríamos boleia e não paravam, só já tínhamos a opção de voltar atrás mas já não havia força, estávamos a caminhar na hora da esturreira ( calor) como se diz no Alentejo.

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Monte alentejano
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Caminhos de terra batida e pedras onde nos perdemos

Já desesperados, implorámos a um senhor que parasse a carrinha, ele parou e disse-nos que subíssemos para a caixa que nos deixava no parque porque estávamos muito longe e assim terminou este trilho, numa boleia e na dúvida que segue até hoje de como fomos ali parar.

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Cabeçudos, uma aldeia esquecida
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Campos áridos e rochosos de Marvão

À noite víamos as estrelas entre ramos de oliveira no silencio absoluto do campo alentejano, este é diferente daquele que me viu nascer,há muitas pedras, tudo são pedras,é o fim do Alentejo e o começo das Beiras.

Até à Serra da Estrela a road trip continua por esses campos áridos e rochosos.

O que acham de uma viagem pelo nosso interior?

 

 

 

 

 

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