Devaneios

Não quero fugir, quero paz

Soltar-me, escrever o que me apetecer, não parar, não pensar que todas as linhas vão saindo sem nexo, tudo é espontâneo. Lembro-me de ter medo e ainda tenho, às vezes só quero fugir, apanhar o comboio sem destino, chegar a uma nova cidade mas nem ficar muito tempo nela, simplesmente perder-me, nos sons, nos cheiros, talvez ir a um museu mas depois voltar a fugir no próximo comboio e dele nunca sair. Começar uma viagem interminável, só eu sentada na janela a ver paisagens a passar, montanhas, praias, florestas, campos infinitos, tudo infinito, a viagem, eu e o comboio.

Nem sequer ei de ter fome ou sede, nada. Só paz e mais paz e volto a repetir paz! É tudo o que preciso. Mas seria isto forma de encontrar a paz? Seria isto real? No meu íntimo tudo é possível e se eu acreditar que a realidade é essa viagem de comboio? e se deixar de ter medo? Não posso, preciso da minha covardia que nunca me deixará fugir que me faz estar aqui no terra a terra porque isto é o que tenho que viver e por mais viagens de comboio sem destino que faça ou não é aqui que pertenço, ao mundo real mas também indefinido, confuso e que sempre me deixa com vontade de partir.

Mas houve um dia que não suportei mais, as más caras, as ironias e a guerra e meti-me a caminho da estação, parei, tive medo mas dirigi-me à bilheteira como se nada acontecesse  e pedi um bilhete sem destino e meti-me num comboio que partia naquele instante. Sentei-me e vi que era real, eu estava ali a caminho de uma cidade que nem existia e da qual também iria fugir. Não dormi durante toda a viagem e podia dizer que foi longa, interminável. Só eu e a tal janela.

Fechei as cortinas, não que fizesse sol mas ao contrário do que imaginava não me apetecia ver as montanhas nem o mar, queria estar comigo por isso fechei as cortinas da janela e abri as minhas. Desejava paz, desejava amor por isso fugia de um mundo real para um irreal porque ali era mais fácil encontrar a felicidade, estava farta da mesquinhez de não ser compreendida. Farta de mais guerra que paz.

No mundo real faz-se guerra por tudo, acho mesmo que nós estamos em guerra connosco próprios e não percebo o porque. Porque não tentamos combate-la? Porque fugir num comboio para encontrar a paz?  Tem isto algum nexo?

A viagem nunca chegou ao destino, a essa cidade longínqua, não vi montanhas nem paisagem nenhuma, só me vi a mim perdida e sem saber como voltar à realidade mas agora tinha uma certeza que sempre tive na verdade: Não quero fugir, quero paz.

DSCN0705.JPG
A paz encontro na natureza,nos rios, nos mares e às vezes nas linhas de comboio ou nas que escrevo

Faro, Dezembro de 2018

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